Que o amor morra para eu viver
E quando eu tive que matar o amor para sobreviver?
Desde pequenos somos ensinados, seja por religião, patriarcado, ou pela sociedade, que devemos “buscar” ou “esperar” o amor romântico. E a indústria do entretenimento reforça esse tipo de sentimento quando faz filmes onde a “princesa” é salva pelo “príncipe encantado" ou mostrando duas pessoas que foram destinadas a ficarem juntas ou mostrando amores “à primeira vista”. Mas na vida real, um príncipe não virá te salvar dos seus monstros. Não existe amor à primeira vista, amor é um sentimento construído. E não existe isso de estar “destinado” a ficar com alguém, não existe a “pessoa certa”, mas sim a pessoa disposta.
Essa busca e essa espera pelo amor romântico gera um sentimento que te pede para ser paciente, pequeno e quase invisível. Pois uma vez que não aprendemos a criar o amor em nós, antes de esperar por ele vindo do outro, passamos a buscar por alguém “diferente”, mas não diferente dos outros. Buscamos por um “ideal”, uma imagem que nós criamos. E quando finalmente encontramos, a “pessoa certa”, o “príncipe encantado”, o amor “à primeira vista”, estamos dispostos a tudo por esse alguém, é aí que muitos de nós se perdem de si. Pois aquela versão idealizada está projetada num ser humano, alguém que falha como qualquer outra pessoa, e esses erros vão sendo tolerados, aceitamos migalhas, nos anulamos - não pela “pessoa” que amamos, mas sim pela versão idealizada dela.
“Mate o amor que te destrói, e finalmente você viverá.”
E nesse momento em que o “amor” acaba, muita gente recomeça o ciclo, não entendem que isso não é amor, é desejo, é ideia, é carência. Mas tem outras pessoas que saem tão destruídas disso que chamam de “amor”, que matam o amor. Não literalmente - matam o amor antes que o amor os mate. Matam a versão do amor que fere, a que te pede para ser paciente, que te pede para ser invisível. E dão início ao amor verdadeiro, o amor que se cativa e que se é cativado de volta. O amor que se é construído e não só uma extensão de egos.
Uma vez que essa versão do amor é morta, uma nova surge, mas de uma forma natural, onde esse amor é iniciado em si, e serve como armadura para não se entregar para o outro sem vigiar, como se o outro fosse um deus. De se despencar pelo outro esperando mudança, tendo ciência de que tudo é feito por querer, e não devemos perdoar tudo só por amarmos. Por isso: Que o amor morra, para eu viver. Porque se pararmos de buscar o amor no outro, o amor nasce em nós.
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